quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

"IDEB", UM ESTÍMULO À EVASÃO ESCOLAR NUM QUADRO DE EXCLUSÃO SOCIAL!


1. É sempre bom ter um índice de aferição de resultados para compará-los no tempo. Mas a construção desses índices num país desigual deve ser feita com muito cuidado, para não ser um indutor de mais desigualdades.

2. Uma criança pobre na escola é a única ponte sustentável de inclusão. Seus problemas em casa - ausência de mesa, estante, livros, acesso digital -... seus problemas de família - mais de 50% das famílias com renda menor que 2 salários mínimos, o chefe é a mulher, violência doméstica... certamente são problemas para a progressão escolar, independente da inteligência e esforço da criança.

3. Por isso o atraso ou repetência de uma criança ou adolescente pobre não pode ser tratado na forma darwiniana de uma escola jesuítica clássica: fora! Ao contrário: deve-se buscar no limite manter este adolescente integrado no ambiente escolar. Desta forma uma escola publica e aberta socialmente, terá sempre e por definição, um tempo médio maior por faixa de idade.

4. Como avaliar uma escola que consegue esta progressividade mesmo com um tempo médio maior por faixa de idade? Certamente de forma positiva. Deve-se reconhecer e aplaudir esta luta pela permanência e integração e contra a evasão escolar.

5. Paradoxalmente o IDEB - é um índice criado pelo MEC que - aritmeticamente - premia a evasão escolar. O IDEB tenta ser um indicador sintético que relaciona informações de rendimento escolar e desempenho.

6. IDEBji = Nji x Pji , onde N = média da proficiência em português e matemática padronizada para um indicador entre zero e dez , e P = indicador de rendimento baseado na taxa de aprovação: j = unidade de ensino; i = ano do exame e do censo escolar.

7. Assim, se alunos que não estão sendo aprovados forem de algum modo imediatamente excluídos da escola, a taxa de aprovação sobe e P sobe, aumentando o IDEB. Também a nota média provavelmente será maior aumentando N.
8. Diz o documento do MEC: "Em suma, um sistema de ensino ideal seria aquele em que todas as crianças e adolescentes tivessem acesso à escola, não desperdiçassem tempo com repetências, não abandonassem a escola precocemente e, ao final de tudo, aprendessem. A combinação entre fluxo e aprendizagem do Ideb vai expressar em valores de 0 a 10 o andamento dos sistemas de ensino.”

9. Independente da melhor das intenções e da coerência harvardiana, o índice do MEC - o IDEB - se for para avaliar para valer e "punir", é um indutor a evasão escolar, a expulsão logo após a repetência. Um indutor de mais desigualdade social.

Transcrito do Blog de Waldemar Neto

Nenhum comentário: