quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Obama desfia o ‘rosário’ eleitoral no Congresso


Barack Obama pronunciou no Congresso o tradicional ‘Discurso do Estado da União’. Trata-se de uma peça obrigatória no calendário político dos EUA. Serve para que o presidente exponha seus planos para o ano que começa.

Como 2012 é ano de sucessão presidencial, a fala de Obama confundiu-se com sua plataforma reeleitoral. Fustigado por uma crise que envenena o humor dos eleitores, Obama disse que nada é mais relevante do que manter vivo o “sonho americano”.

Uma reação retórica do presidente democrata aos rivais republicanos. A oposição esforça-se para vender a tese segundo a qual Obama fez do sonho de trabalho e prosperidade um pesadelo de desemprego e ruína econômica.

Para esquivar-se do veneno, Obama esgrimiu um par de números. Disse que, seis meses antes de sua posse, o país perdera 4 milhões de postos de trabalho. “Nos últimos 22 meses, a economia gerou mais de 3 milhões de empregos”.

Dito à moda do Brasil: segundo Obama, a breca dos EUA compõe a herança maldita de seu antecessor, o republicano George Bush. Sua administração estaria restaurando o mercado de trabalho.

A taxa de desemprego nos EUA é, hoje, de 8,5%. Para combater o flagelo, Obama mencionou a intenção de criar uma agência de combate à concorrência predatória de produtos estrangeiros. Uma referência à China.

Citou também o plano de impor sanções tributárias às empresas americanas que levam suas plantas industriais para outros países. Em busca de custos mais baixos, oferecem empregos no estrangeiro.

Repisou a pregação em favor da taxação das grandes fortunas. A oposição pega em lanças contra a ideia. E Obama enxergou no discurso uma oportunidade para espicaçar Mitt Romney.

Romney é um dos republicanos que disputam o posto de rival de Obama na sucessão. Milionário, foi às manchetes em posição constrangedora.

Descobriu-se que pagou proporcionalmente menos impostos que um contribuinte americano de classe média. Por quê? O grosso dos rendimentos de Romney veio de aplicações financeiras com baixa tribução.

“Washington deve parar de subsidiar os milionários”, bateu Obama. “Se você ganha US$ 1 milhão por ano, não deveria ter deduções nos impostos ou subsídios. Se ganha menos de US$ 250 mil por ano, como 98% dos americanos, seus impostos não deveriam aumentar.”

A certa altura, Obama falou de imigação. É outro tema que inquieta os eleitores. Há nos EUA, de acordo com as estatísticas oficiais, algo como 11 milhões de estrangeiros ilegais.

Obama falou contra a imigração clandestina. Defendeu uma reforma da legislação migratória e disse que nenhum governo colocou mais policiais na fronteira do que o seu.

Defendeu tratamento diverso para o imigrante qualificado. Acha que é preciso “parar de expulsar jovens que querem trabalhar em nossos laboratórios, começar novos negócios e defender esses país. Me mandem uma lei que dê a eles a chance de conseguir sua cidadania. Eu assinarei na mesma hora”.

Discorreu sobre política externa. Algo que, nos EUA é quase um sinônimo de conflito. Jactou-se de ter devolvido aos seus lares parte dos soldados americanos que combatiam alhures. “Pela primeira vez em nove anos, não há nenhum americano lutando no Iraque.”

Gabou-se de ter mandado às profundezas o inimigo número um da América: “Pela primeira vez em duas décadas, Osama bin Laden não é uma ameaça.” Acrescentou: “Começamos a amainar a guerra no Afeganistão –10 mil tropas já voltaram para casa; 23 mil retornarão até o fim do verão.”

Obama mudou de tom ao mencionar o Irã. Declarou-se determinado a impedir que Teerã produza a bomba atômica. Soou ameaçador: “Eu não descartarei nenhuma das opções sobre a mesa para conseguir isso.”

O regime dos aiatolás deveria torcer para que a popularidade de Obama suba. A história ensina que presidente americano em baixa no front interno costuma enxergar nas bombas um irresistível elixir.

Por Josias de Souza

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