quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Brasileiro que nasceu com anomalia rara no pescoço dará palestra nos EUA

Cláudio Vieira de Oliveira, 38, nasceu com uma rara anomalia que faz com que seu pescoço seja virado para as costas e com braços e pernas atrofiados: palestra inspiracional nos EUA

Cláudio Vieira de Oliveira, 38, nasceu com uma rara anomalia que faz com que seu pescoço seja virado para as costas e com braços e pernas atrofiados: palestra inspiracional nos EUA


Nascido com uma rara anomalia, que faz com que seu pescoço seja virado para as costas, o baiano Cláudio Vieira de Oliveira, 38, fará sua primeira palestra internacional agora em outubro. Entre os dias 18 e 26, ele visitará os Estados Unidos para encontros em Elizabethtown, no Estado da Pensilvânia, e em Chicago, no Estado de Illinois.

Cláudio dará palestras em escolas e hospitais. Na agenda consta ainda um passeio por Miami. "Estou muito ansioso por essa viagem, apesar de já ter saído do país algumas vezes, mas nunca fui à maior nação do mundo", comentou Cláudio, segundo o qual há propostas também de visita à Rússia, feita por uma emissora de TV.

Cláudio de Oliveira ficou conhecido há pouco mais de três meses, quando teve sua história de vida exibida pelo Discovery Channel em vários países. 

Arquivo pessoal
Cláudio Vieira dá palestra em uma igreja evangélica

A partir daí, outras emissoras, rádios e jornais se interessaram em falar com ele. Recentemente, uma equipe de TV americana foi entrevistá-lo em Monte Santo, onde mora com a família.

"Meu amigo padre [George Grima], que me levou a Roma para conhecer o papa João Paulo II, em 2000, está em contato com missionários de grupos de ajuda humanitária que querem levar bons exemplos de vida para ajudar as pessoas em outros países. Agora, com a divulgação da minha história no exterior, fechamos a agenda", disse Cláudio, que já está com passagens compradas.

SUPERAÇÃO

Cláudio nasceu com uma anomalia chamada artrogripose múltipla congênita, que afeta um a cada 3.000 nascimentos. Ele tem o pescoço virado para as costas e braços e pernas atrofiadas, o que nunca o impediu de estudar e se formar em contabilidade. Ele vive de dar palestras motivacionais, nas quais conta sua história de vida.

"Estou treinando bem meu inglês para não passar muita vergonha quando chegar lá", diz sobre a viagem aos Estados Unidos. Cláudio de Oliveira também fala espanhol e planeja fazer pós-graduação e mestrado na área contábil.

O apoio da família e de amigos fez com que ele pudesse conhecer dois papas. Em 2000, com a ajuda do padre George Grima, ele escreveu duas cartas ao Vaticano relatando a história de Cláudio de Oliveira, que foi para Roma em 9 de dezembro daquele ano e no dia 13 encontrou o papa na Praça São Pedro.

"Ele me deu um terço de presente, disse que ia orar por mim e me deu a benção", lembra o contador. Este ano ele "colocou" mais um papa em seu "currículo": no segundo dia da Jornada Mundial da Juventude conheceu o papa Francisco.

"Depois de muita dificuldade para passar, fiquei junto com outras pessoas esperando-o passar no corredor em direção ao Hospital São Francisco de Assis. Eu e mais outros amigos gritamos para ele, que chegou até mim, me abraçou e fez o sinal da cruz na minha testa". A Cláudio, o papa Francisco disse "sinta-se abençoado".

Outra emoção ocorreu no final de 2009, no Rio de Janeiro, quando ele foi ao Maracanã ver o jogo dos famosos e acabou conhecendo Zico, seu ídolo [Cláudio é flamenguista]. Cláudio conheceu outros artistas também.

Cláudio diz que gostaria de ter um carro para poder viajar mais confortável, pois para onde vai é sempre de ônibus. "Não teria como eu dirigir, pois na minha condição não teria como tirar a carteira de habilitação, mas haveria alguém que poderia fazer isso por mim", afirma.

"Acho que nasci designado a cumprir uma missão: ser exemplo de perseverança e superação. Mostro que podemos enfrentar todos os problemas e obstáculos. Temos que aceitar a vida e vivê-la. Gosto de sair com os amigos, danço, namoro, viajo, faço tudo. Essa motivação é fruto de minha família, que nunca me enxergou como um deficiente e sim com igualdade. E é isso que me fortalece", diz Cláudio.

Fonte: UOL

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